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O que é a CASA DO ARTISTA RIOGRANDENSE:
Conforme o estatuto, art 1° e 2°, "sociedade civil de direito privado, sem fins lucrativos, retiro destinado aos artistas necessitados, impossibilitados pela idade ou por motivo grave de prover o próprio sustento, dando-lhes abrigo, alimentação e condições dignas de sobrevivência, dentro das possibilidades da entidade".

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Casa do Artista PROJETO BASE
Estatuto da Casa do Artista Riograndense
Autorização para Débito em Conta Banrisul
Planta de Situação
Planta de Cortes
Planta de Fachadas
Declaração de Utilidade Pública Municipal
Diário Oficial da Declaração de Utilidade Pública Municipal
VISÃO DA DIRETORIA - Mostrar dedicação e persistência na melhoria da Casa do Artista Riograndense, mudando a injusta realidade atual, buscando construir um novo modelo de sobrevivência auto-sustentável.
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

No “CORREIO DO POVO” de DOMINGO – 15 de janeiro de 2012

Dos antigos aplausos ao silêncio

Casa do Artista Riograndense, na Capital, abriga atores que há anos aguardam novos convites para retornarem aos palcos


As paredes de um antigo casarão no alto do bairro Glória, em Porto Alegre, guardam lembranças, aplausos, risos, amores e sucessos de uma época de ouro. Ali, na Casa do Artista Riograndense, 11 moradores vivem dias que em nada lembram os tempos agitados e de convites para trabalho do passado. Uns seguem na ativa. Outros, à espera de um chamado. Mas todos com a arte e o talento ainda à flor da pele.

Não existe ex-artista. A arte está impregnada naquele que usa o corpo e a alma para atuar, cantar, brincar, fazer rir e chorar o seu público. Mas o tempo é implacável. E o sucesso de outrora se esvai, e os aplausos, o combustível do artista, vão se silenciando. Carlos La Porta, 75 anos, sabe bem disso. Natural de Porto Alegre, ele começou a atuar em radionovelas em 1954.

"Chegava a fazer umas três novelas por dia. Felizmente, a TV ainda não existia", diz o ator. La Porta fez parte da TV Piratini, em 1959. Participou da extinta TV Tupi, entre 1971 e 1976, integrando diversas novelas. Entre elas, a primeira versão de "Mulheres de Areia", onde fez o papel de Vladimir, o namorado da gêmea má (na versão recente foi representado por Paulo Betti).

Os olhos azuis, a postura ereta e o alto astral denunciam a sua outra profissão: "Fui o primeiro manequim masculino do Rio Grande do Sul", revela La Porta, que teve uma escola para modelos na Capital e, entre os alunos, Dilson Stein, o professor de Gisele Bündchen. Mais do que isso: "Fui considerado o segundo Paulo Autran", lembra, confessando estar desanimado. "Sou ''ex'' de tudo. Tenho a sensibilidade à flor da pele e quero fazer teatro, mas quando penso que é preciso ir em busca de patrocínio, desanimo, porque é uma luta", comenta.

Aposentadoria é uma palavra que passa longe do ator Sirmar Antunes, 55 anos. Ele carrega um currículo extenso, com atuações em produções como "Netto Perde sua Alma", o que lhe rendeu o prêmio de melhor ator coadjuvante em festivais de cinema. Antunes também participou de "Lua de Outubro" (filme) e de "A Casa das Sete Mulheres" (minissérie), entre outros. Ele conta que já ingressou na carreira com os olhos voltados para o cinema. "Eu queria ser um Sebastião Bernardes de Souza Prata, o Grande Otelo", resume o mais novo morador da Casa do Artista - ele está lá há pouco mais de um mês.

No ano passado, Antunes participou de três filmes, inclusive o longa metragem de Tabajara Ruas "Os Senhores da Guerra", com estreia prevista neste ano. Ele deverá participar de mais dois filmes em 2012 e está ensaiando uma peça de teatro. Além de tudo, ainda faz dublagens e ministra palestras.

As paredes do velho casarão, fundado em 1949, ganharam vida com a arte de Wilson Roberto Gomes, 69. Ele pinta paredes e objetos de decoração com muito talento. O vozeirão, entretanto, entrega a verdadeira profissão desse radioator, que mora na Casa do Artista Riograndense há mais de uma década. "É uma higiene mental", resume Gomes.

Na rua Anchieta, 208, do bairro Glória, as paredes quase podem falar. Elas contam histórias de um tempo bom que não volta mais. Abrigam artistas sempre à espera de um novo espetáculo. Na esperança de que o show tem que continuar.

DOAÇÕES
A Casa do Artista Riograndense está precisando especialmente de alimentos, material de construção e material de limpeza. Interessados em fazer doações podem entrar em contato com o presidente da entidade, Luciano Fernandes, pelo telefone (51) 9123-7519. Contribuições diretas também podem ser feitas no Banrisul, através da agência 0073, conta corrente 06.011348.0-8. Informações sobre a casa: http://casadoartistariograndense.blogspot.com

Apenas uma dama entre cavalheiros

Apenas uma dama vive entre os cavalheiros na Casa do Artista Riograndense, situada no bairro Glória, em Porto Alegre. O nome dela é Maria Therezinha Pereira Dias, de 85 anos.
Viúva de Vanoli Pereira Dias, conhecido por dirigir a maioria dos filmes de Teixeirinha, ela e o marido viajaram pelo Brasil na companhia de Procópio Ferreira e Bibi Ferreira, entre outros artistas famosos. "Minha formação é cabeleireira, mas tive que ser atriz por necessidade", lembra Maria Terezinha.
Atualmente, ela vive na Casa do Artista. Sua história mais triste é a perda do filho caçula, quando ele tinha apenas 21 anos. O mais velho, que atua como artista plástico, está morando no Litoral. A mãe segue os seus dias na casa que, para ela, é como viver num retiro, ao lado de colegas de profissão.

Ator circense administra o local

À frente desta república que é a Casa do Artista Riograndense está um jovem ator circense. Há dois anos, Luciano Fernandes, de 36 anos, administra o local. E, aos poucos, tenta com dificuldades colocar a casa em ordem. As doações são poucas, mas ajudam no pagamento das contas essenciais, como água, telefone e Internet. Um antigo colaborador paga a conta de luz há anos. 

Ainda, uma parceria com a Corag permitirá que os moradores tenham oficinas de informática. "Isso fará com que eles se conectem à classe através da Internet", diz Fernandes. Uma parte do grande casarão está em reforma. A ideia dele é transformar a estrutura para receber artistas vindos do Interior. "Para que possam se hospedar aqui e também fazer shows para dar vida à nossa casa." Durante um tempo, a casa ficou jogada à própria sorte. Quem administrava o local eram os próprios moradores. O matagal tomou conta da frente da casa durante muito tempo. Aos poucos, Fernandes, que é muito mais novo que os seus inquilinos, conquistou a confiança dos velhos artistas
"Nossos moradores são livres. Aqui tem muito trabalho para fazer", resume.



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